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dez 08

Diretor do The Guardian diz que os Arquivos de Snowden “Estão Seguros” e vão Continuar a ser Notícias

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As centenas de notícias que já foram publicadas pelo jornal The Guardian sobre o programa secreto de vigilância eletrônica realizado pelos serviços secretos do Reino Unido e dos Estados Unidos correspondem a cerca apenas  de “1%” da informação dos arquivos pirateados pelo analista Edward Snowden e disponibilizados ao jornal – e que estão “seguros“, “devidamente criptografados“, “cuidadosamente armazenados” e continuarão a ser trabalhados “de forma responsável“, garantiu nesta terça-feira o diretor Alan Rusbridger aos membros da comissão de assuntos internos do Parlamento britânico.

Rusbridger foi chamado pelos deputados para responder pela repercussão das revelações feitas pelo seu jornal sobre o âmbito e o funcionamento dos programas conduzidos pela Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA) e a sua congênere britânica, Government Communications Headquarters ou GCHQ – numa audiência oficialmente agendada como uma sessão de esclarecimento sobre questões de contra-terrorismo. O diretor do jornal apresentou uma forte defesa não só do trabalho jornalístico realizado até agora, mas principalmente do direito da opinião pública de conhecer e discutir os fatos denunciados por Snowden.

Não consigo me lembrar de nenhuma outra história recente que tenha feito um alvoroço ao redor do mundo maior do que esta, e que tenha gerado tanto debate nos parlamentos, tribunais e entre organizações não-governamentais. A lista de personalidades que consideraram necessário discutir este assunto inclui três Presidentes dos Estados Unidos e dois vice-presidentes, generais e diretores de segurança – todos defendem, em retrospectiva, que este era um debate essencial e urgente, disse Rusbridger.

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E apesar da intensa pressão que tem sido exercida sobre o seu jornal, Rusbridger prometeu que os arquivos fornecidos por Edward Snowden vão continuar a ser trabalhados. “Não nos deixaremos intimidar, mas também não agiremos de forma impensada ou irresponsável”, declarou. “Penso que publicamos 26 dos 58 mil que vimos.

O diretor do The Guardian contestou a leitura – repetida pelos deputados conservadores – de que a publicação das notícias sobre os programas da NSA e GCHQ colocava em questão a defesa nacional e comprometia a segurança operacional dos agentes desses serviços, favorecendo os terroristas. “O problema destas acusações é que são vagas e não se baseiam em nenhum fato específico”, assinalou Rusbridge. Vários dirigentes da Administração norte-americana e do Governo britânico disseram publicamente que nenhum agente e nenhuma operação estavam em risco por causa das notícias do The Guardian, enfatizou.

“É patriota?”

Assinalando o caráter “estritamente pessoal” que assumiram grande parte das críticas dirigidas contra Rusbridger e o  The Guardian por causa da publicação dos segredos divulgados por Snowden, o presidente da comissão, Keith Vaz, abriu o inquérito com uma questão sobre o patriotismo do diretor do jornal.

O senhor, tal como eu, não nasceu no Reino Unido. Pode me dizer se ama este país?”, perguntou o deputado trabalhista originário da província de Goa (Rusbridger nasceu em 1953 em Lusaka, a atual capital da Zâmbia, que na época ainda era Rodésia do Norte, um protetorado do Reino Unido).

Confesso que estou muito surpreso com sua pergunta, mas sim, somos patriotas e uma das razões do nosso patriotismo é a natureza da nossa democracia, a natureza da nossa imprensa livre e o fato de neste país, ser possível reportar e discutir assuntos como este”, respondeu o jornalista, referindo-se ao programa secreto de vigilância eletrônica.

Então a razão por que fez tudo não foi para prejudicar o país? Foi para o país compreender o que se passava no que diz respeito ao programa de vigilância?”, insistiu Vaz.

Há países, e geralmente não são democracias, onde a imprensa não é livre de escrever sobre estes assuntos, onde os serviços secretos dizem aos editores o que podem escrever e os políticos censuram os jornais. Mas no Reino Unido, temos liberdade para escrever e para pensar, e temos também direito à privacidade. O que fizemos foi contrabalancear todas as nossas preocupações, também em nome da segurança nacional, que nunca ninguém subestimou”, frisou Rusbridger.
Fontes:

Público: Director do The Guardian diz que os ficheiros de Snowden “estão seguros” e vão continuar a dar notícias

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