«

»

nov 22

As Verdades Sobre as Guerras no Oriente Médio que Você Não Verá na Mídia

GD Star Rating
loading...

Funcionário do governo libanês, familiarizado com os desenvolvimentos regionais, contou que aconteceu uma discussão – que, para ele, ficou entre briga e reprimenda –entre os ministros do Exterior da Arábia Saudita e do Qatar, numa das reuniões que estão acontecendo paralelas à uma conferência internacional para arregimentar apoio armado a grupos da oposição síria.

A discussão focou-se nas causas do fracasso na Síria; teve de tudo: de procurar desculpas a recusar qualquer culpa pelo que aconteceu. O funcionário libanês disse que o ministro saudita vinha adotando tom acusatório, até que ouviu pesada resposta do ministro do Qatar.

Em resumo, o ministro qatari disse que “Nós fizemos tudo na Síria durante dois anos e conseguimos que todo o planeta abraçasse a causa da oposição síria. Você [príncipe Bandar] assumiu, e bastaram dois meses para que todo o planeta se transferisse para o lado de Bashar al-Assad”.

Esse parágrafo pode resumir todos os desenvolvimentos na Síria e no Oriente Médio nas últimas semanas ou, mais especificamente, desde que Moscou e Washington firmaram um acordo para destruir as armas químicas da Síria, e começaram a surgir sinais de reaproximação entre os EUA e o Irã.

Mas o curso de todos esses eventos começou, de fato, há uma década, quando os EUA decidiram derrubar Saddam Hussein. Os sauditas apoiaram, mas a Síria opôs-se.

Ahmed Moaz al-Khatib, chefe da delegação da oposição síria, em discurso na abertura da reunião de cúpula da Liga Árabe em Doha, dia 26/3/2013. 

Pouco depois da queda de Bagdá, em abril de 2003, começou a tornar-se cada vez mais claro que os sauditas, aliados do vencedor da guerra do Iraque, estavam perdendo no campo político o que tinham suposto, erradamente, que teriam ganho graças à força militar de outros. Simultaneamente, os sírios, que se mantiveram aliados da parte derrotada, começaram a colher benefícios políticos, paralelos aos ganhos geoestratégicos de seus aliados iranianos.

As primeiras semanas do ataque contra a Síria podem ser identificadas nesse paradoxo observado naquele momento, sobretudo quando a coalizão dos derrotados começou a aumentar, incluindo George W. Bush, Jacques Chirac e a Casa de Saud e seus aliados no Líbano, os quais tinham muito a ganhar e muito a perder, tanto em Damasco quanto em Beirute.

Assim aconteceu a decisão de tirar do Líbano as forças de Assad – para destruir seus ganhos em Bagdá. Mais uma vez, os sauditas foram convencidos pelo comportamento de seus “delegados” norte-americanos. Mas a coisa durou pouco. Apenas alguns meses depois que o exército sírio saiu do Líbano, dia 26/4/2005, começou a ficar visível que os norte-americanos estavam também se recolhendo aos limites demarcados pelo próprio pragmatismo.

Os sauditas exigiam que os EUA apontassem a pistola para a cabeça da Síria, mas, em vez disso, Bush preferiu seguir uma abordagem de “porrete-e-cenoura”. Os sauditas queriam a “des-Baath-ificação” na Síria, mas os norte-americanos queriam mudar o comportamento do regime, não mudar o próprio regime.

A violenta resposta dos sauditas a Washington não demorou a aparecer. Como aconteceu outra vez recentemente, dia 20/9/2005 o ministro de Relações Exteriores saudita, Saud al-Faisal, criticou furiosamente o governo dos EUA, em discurso no Conselho de Relações Exteriores em New York City.

Faisal disse então que a política dos EUA no Iraque estava aprofundando divisões sectárias, preparando a balcanização do país, o que poderia levar o Iraque a cair nas mãos do Irã.

A briga entre Riad e Washington por causa do Iraque continuou durante anos, até que surgiu uma ocasião para que os dois países novamente convergissem. O primeiro ponto de convergência entre ambos acontecera no momento de expulsar do Líbano as forças sírias de Assad; o segundo foi o acordo para restaurar o equilíbrio no Iraque, apoiando Iyad Allawi nas eleições de 2010.

Quando Assad aceitou o projeto Allawi em Bagdá, a coordenação Síria-sauditas começou em Beirute. Todas as questões que envolviam os sauditas no Líbano foram postas na gaveta, inclusive o cargo de primeiro-ministro para Saad Hariri, o Tribunal Especial para o Líbano, as armas do Hezbollah e a presença síria – como se dispôs num famoso “documento de concessões” do movimento “14 de Março”, que Walid Jumblatt divulgou dia 21/1/2011, poucas semanas depois de o projeto Allawi estatelar-se contra o muro, em Bagdá.

O timing não foi simples coincidência. De fato, nas últimas semanas de 2010, o eixo Síria-Irã conseguiu, mais uma vez, abortar o sonho saudita. Allawi venceu as eleições no Iraque, mas foi Nouri al-Maliki quem, afinal, constituiu o governo. O eixo Síria-sauditas teve morte súbita em Beirute. E pouco depois começou o ‘levante’ em Damasco.

Esses são os elementos de uma equação bem ampla que afinal se pôde ver: em 2003, os sauditas perderam o Iraque; os EUA então decidiram garantir-lhes compensação no Líbano e na Síria, pelas perdas sauditas no Iraque. Em 2005, os EUA recuaram em Damasco. Pela terceira vez, sauditas e EUA perdiam: no Líbano, na Síria e no Iraque. Então decidiram virar a mesa toda, de vez, na cadeia central, e derrubar o governo de Assad em Damasco.

Os EUA são lacaios do Reino Saudita, ou é exatamente o contrário? 

Mas os cálculos no Oriente são seguidamente muito complexos e, talvez, difíceis demais para que os compreendam um cowboy distante ou um beduíno próximo. Os EUA então voltaram à região, com um projeto inspirado, agora, na Primavera Árabe.

O projeto, de fato, era ideia bem simples, com roteiro assinado por Recep Tayyip Erdogan da Turquia e dirigido pelos arquitetos dos ‘levantes coloridos’: entregamos o poder em toda a Região à Fraternidade Muçulmana, e os Irmãos em troca, atendem três demandas – garantem a segurança de Israel, os interesses dos EUA e a estabilidade dos governos, sem que Washington tenha de pagar a conta.

O trem até que andou bem por esses trilhos nos primeiros tempos, na Tunísia, no Egito e na Líbia, mas a hostilidade dos sauditas contra a Fraternidade Muçulmana os levava a temer que os Irmãos, mais dia menos dia, tomassem o poder nas “cidades de sal” no Golfo.

Os sauditas, contudo, mantiveram-se em silêncio por quase um ano e meio. Opor-se a projeto bem-sucedido é sempre tática não recomendável, e eles se mantiveram recolhidos, até que, afinal, amadureceram as condições para o fracasso do projeto dos EUA.

Dia 11/9/2012, a promessa de proteger os interesses de Washington entrou em colapso em Benghazi, com o assassinato do embaixador dos EUA. Em novembro, a demanda de que a segurança de Israel seria preservada também fracassou, quando irromperam confrontos em Gaza, e o Hamás não conseguiu fazer valer o compromisso firmado entre a Fraternidade Muçulmana e Israel. E, no início de 2013, já era absolutamente evidente que a promessa de estabilidade nos países da Primavera Árabe estava reduzida a simples piada.

Tudo estava maduro para que os sauditas retomassem a iniciativa. Tinham tudo preparado para um contra-ataque, pelo menos desde meados de julho de 2012, quando o príncipe Bandar foi nomeado espião-chefe do reino.

Por muitos meses, os sauditas haviam feito todo tipo de pressão contra os EUA e os países árabes, persuadindo Washington pela quarta, ou centésima-milionésima vez, a fazer o jogo: Mohamed Mursi fora derrubado. O Qatar fora pacificado. A Turquia fora marginalizada. E Riad assumiu para ela todos os dossiês.

Até aí, parecia que os sauditas teriam triunfado completamente, e só eles, pela primeira vez em décadas. Mas naquele momento, surgiu o acordo das armas químicas, construído por Moscou. O sorriso nuclear de Hassan Rouhani surgiu em New York. E tudo veio abaixo.

É de se esperar que Riad perca completamente a compostura, a sobriedade e até a razão. Todas as arenas converteram-se em caixas de mensagens a transmitir as objeções e rejeições dos sauditas, de Maaloula a Trípoli; e do Tribunal Especial para o Líbano ao Conselho de Segurança da ONU, com Bandar a esbravejar e berrar, e todos confusos, sem entender o relacionamento com os sauditas: os EUA são lacaios do Reino Saudita, ou é exatamente o contrário? (…)


Fontes:
Tlaxcala: O que o ministro do Qatar disse ao ministro saudita?
Traduzido por – Vila Vudu

Artigos relacionados:

1 comentário

  1. Alex Ferreira

    “Que Deus nos salve. O sucateamento de ambulâncias do Brasil e tão grande que não há mais médicos para resgate de pessoas… A verdade e que a correria dos Médicos no Brasil vem só empacotando o paciente há muitos anos, já não há mais atendimento a pacientes… E a politica da medicina não explica as questões da ineficiência dos exames e laudos médicos, e da psiquiatria e acessibilidade pública para a população que vive como delinquente e bandido… Tenho plano funerário para mim e meu filho e ela realiza a cremação do corpo, o resto são um bando de incompetentes!”

    O mundo precisa saber onde o hospital está e mais forte no mundo…

    Responsabilidade…

    Sobre a significância, e as infinitas fotos das atrocidades psiquiátricas e milicianistas do oriente médio e do mundo e as próximas expectativas adiante…

    Os conselhos de segurança dos países são incompetentes, o oriente médio e o planeta tem a maior potencia hospitalar e tecnológica e equipe de agentes biológicos que já houver na história da humanidade… Os conselhos já deveriam ter tomado à situação do paisagismo dos conflitos no globo…

    Como fica a vida humana futura… O Planeta precisa se negociar melhor para se conhecer… O planeta está atrasado com a evolução e construção ecológica… E a ecologia do planeta precisa evoluir caso não acabaremos perdendo nosso planeta…

    Na revolução agrícola Há 10 mil anos a.C e já havia guerra e são mais de 100 anos de guerra no Planeta com a descoberta da fissão nuclear…•.

    O estado islâmico já vem ameaçado o planeta com armas químicas e biológicas, inteligência e humilhação há milhares de anos e vem cada vez mais piorando suas atrocidades…

    O oriente médio foi usado para farias vezes para produções culturais cinematográficas e de experimentos científicos e nucleares… E tem atualmente a maior potencia hospitalar cientifica da história da humanidade… O oriente médio e o atual administrador da politica cientifica tecnológica e religiosa do planeta, isso por especulações do islamismo sobre a ressureição e vinda de cristo que nunca existirá… E se cristo gosta ou não de Maomé.

    Os governos e União das Nações Unidas devem tomar a seguinte medida imediata… O seguinte…

    Termo para o oriente médio e estado islâmico assinar repasse de governo de seus estados e capitais para a diplomacia das nações unidas para julgamento em corte marcial por genocídio e crimes de guerra, com o direito de construção de novo estado independentes para os novos povos concidadãos oriental com direito de um novo oriente médio e nova geografia global construída… Nas ocorrências de negação o estado islâmico teria tempo cronometrado para evacuação total de civis e militares com liberação de documentos e passaportes para os países vizinhos, termo que acionaria extração nuclear inteligente (Bomba nuclear construção ecológica).

    Gostei or Não: Positivo 0 Negativo 0

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>