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jun 22

Entretenimento Zumbi: Uma Lição de Dissonância Cognitiva e a Pílula Vermelha

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Os zumbis são os novos vampiros no mundo do entretenimento, mas ao contrário dos vampiros da cultura pop, eles não são brilhantes, sexy ou melancólicos, e você não quer se transformar em um.

O show mais popular na história da TV a cabo é o “The Walking Dead“. Dezenas, se não centenas de zumbis são mortos em cada episódio. Tiros na cabeça são dados com menos remorso do que ao golpear um mosquito antes de ele pousar sobre seu braço. Um machado no crânio, uma picareta através do globo ocular, objetos contundentes, flechas, punhais – qualquer coisa serve. Além do mais, não importa se o zumbi é um homem, mulher ou criança, ele deve ser morto imediatamente enquanto ele cambaleia avidamente em sua direção.

Mesmo os militares nos EUA estão entrando no espírito da Apocalipse Zumbi, mantendo exercícios simulados de desastre com um bando de zumbis como inimigo.

É tudo em nome da diversão, certo? Isto é simplesmente entretenimento e quem disser o contrário deve descontrair um pouco, certo?

Talvez não. Talvez seja necessário dar uma olhada em experimentos psicológicos realizados no

século passado, para determinar se a mania de Zumbis é na verdade uma grande experiência psicológica perpetrada sobre nós.

Abaixo uma coletânea com centenas de mortes de zumbis do seriado:



O Experimento da Prisão de Stanford 

Em 1971, um experimento de 2 semanas foi financiado pelo Escritório de Pesquisa Naval dos EUA para estudar os efeitos de se tornar um prisioneiro ou um guarda de prisão. A prisão de mentira foi criada na Universidade de Stanford, e 24 estudantes participaram do experimento, metade assumindo o papel de prisioneiro e a outra metade guardas do infame Experimento da Prisão de Stanford.

A situação intensificou-se rapidamente em um ciclo de abuso e tortura. As reações psicológicas foram tão dramáticas que o estudo foi interrompido de repente, no sexto dia. Das mais de 50 pessoas que presenciaram o experimento, apenas uma estudante de pós-graduação se opôs ao abuso e tortura. O Dr. Philip Zimbardo, que estava no comando da experiência, escreveu:

Neste ponto, tornou-se claro que tínhamos que encerrar o estudo. Nós tínhamos criado uma situação esmagadoramente poderosa – uma situação em que os presos estavam se retirando e se comportando de maneira patológica, e em que alguns dos guardas estavam se comportando sadicamente. Até mesmo os “bons” guardas se sentiram impotentes para intervir, e nenhum dos guardas desistiram do estudo enquanto este estava em andamento. Na verdade, deve-se notar que nenhum guarda nunca chegou atrasado para o seu turno, ficou doente, saiu mais cedo, ou exigiu hora extra por trabalho extraordinário.



Eu terminei o estudo prematuramente por duas razões. Primeiro, tínhamos descoberto através de vídeos que os guardas estavam intensificando os maus-tratos dos prisioneiros no meio da noite, quando eles pensavam que os pesquisadores não estavam assistindo e o experimento estava “desligado”. Seu tédio levou-os a abusos cada vez mais pornográficos e degradantes dos prisioneiros.



Segundo, Christina Maslach, uma PhD caloura de Stanford trazida para realizar entrevistas com os guardas e prisioneiros, opôs-se fortemente quando viu nossos prisioneiros sendo levados em uma “corrida ao banheiro”, sacos sobre suas cabeças, pernas acorrentados, mãos nos ombros um dos outros. Cheia de indignação, ela disse: ‘É terrível o que você está fazendo com estes meninos!’ Das mais de 50 pessoas que tinham visto a nossa prisão, ela foi a única que questionou a sua moralidade. No entanto, uma vez que ela contrariou o poder da situação, ficou claro que o estudo deveria ser encerrado por ali mesmo.



E assim, depois de apenas seis dias, a nossa simulação de prisão, planejada para duas semanas, foi cancelada.

A experiência mostrou como é frágil a resistência humana para fazer coisas erradas sob situações estressantes, e como rapidamente as pessoas que são normalmente consideradas “com morais” e “mentalmente estáveis” podem se desviar em direção a um comportamento que é tanto sádico quanto repugnante, quando esse comportamento for considerado normal para as circunstâncias.

Isso ocorre por causa de uma teoria comportamental chamada dissonância cognitiva (uma frase cunhada no livro “Quando a profecia falhar“, de Dr. Leon Festinger),que descreve o desconforto mental que uma pessoa sente quando confrontada com dois valores diferentes: a realidade de uma situação e o sistema de crenças morais da pessoa colidem. Quando isto ocorre, a pessoa tem de fazer alterações a um ou a outro, a fim de recuperar o seu equilíbrio. Segundo a teoria do Dr. Festinger, “as pessoas se envolvem em um processo que ele chamou de ‘redução de dissonância’, o que pode ser alcançado através de três formas diferentes: reduzindo a importância de um dos fatores discordantes, adicionando elementos consonantes, ou mudar um dos fatores dissonantes. Esse viés lança luz sobre o comportamento intrigante, irracional e até mesmo destrutivo.

Assim, usando a teoria da dissonância cognitiva, podemos entender que através da cultura popular, qualquer massa de pessoas famintas, loucas e violentas não podem mais ser consideradas humanos. Os membros das forças militares, policiais e guardas podem se distanciar de suas ações violentas reprogramando suas bússolas morais e alinhando-as com a realidade ajustada que não há problema em matar mulheres e crianças e famintos, porque eles são sub-humanos. Eles devem ser liquidados de forma rápida e eficiente para acabar com o caos e voltar a uma situação mais confortável.

Estamos sendo pré-condicionadas pela indústria do entretenimento para aceitar a morte em níveis tão altos que fariam vídeos de campos de concentração parecer com um filme da Disney. Quando você assistir ao trailer abaixo de World War Z (Guerra Mundial Z), note particularmente nas posições 1:20, 1:56 e 2:10 – a fotografia em si desumaniza os milhões que estão sendo abatidos, fazendo-os parecer menores do que os insetos sem rosto a serem destruídos à medida que tentam invadir .

Estamos sendo pré-condicionados a aceitar as cenas inevitáveis de morte, que inundarão nosso noticiário noturno, de modo que não iremos nos opor quando vermos estes incidentes de extermínio em massa na vida real. Estamos sendo socialmente programados para achar o inaceitável ser uma questão-de-fato, uma ocorrência do dia-a-dia, quando assistimos a um machado ser arremessado em direção a cabeça de uma criança selvagem suja e com fome. Esqueça o racismo, nós estamos sendo ensinados um novo tipo de preconceito, a categorização de alguém aterrorizado e com fome como algo menos humano do que nós – uma ameaça a ser destruída com entusiasmo e sem remorso.

Experimento de Conformidade de Asch

Durante os anos 1950, Solomon Asch realizou uma série de experimentos em conformidade. A conclusão das experiências foi de que:

A teoria da auto-categorização sugere que o nosso funcionamento individual a qualquer momento depende se nos classificamos como semelhantes ou diferentes de grupos de pessoas. Quando nos vemos como semelhantes a um grupo, nos envolvemos em uma despersonalização, um conceito-chave na teoria de auto-categorização. A despersonalização ocorre quando as pessoas se vêem incorporando a categoria social do grupo, em vez de suas próprias identidades pessoais. Portanto, a partir dessa perspectiva os resultados Asch são interpretados como um resultado do processo de despersonalização onde os participantes esperam manter as mesmas opiniões incorretas como os outros do ‘grupo’“.

É muito mais difícil fazer uma lavagem cerebral nas pessoas que sabem que estão sujeitas à manipulação. Através da sua consciência dos motivos por trás do entretenimento e dos padrões da mídia, você pode se proteger. Não permita que você seja estupidamente “entretido” com a morte e violência – não permita que isso se torne a norma social. Quando e se você assistir a entretenimentos deste tipo, o faça com uma mente alerta e crítica – não seja um receptor passivo.

Combater a dissonância cognitiva pensando de forma crítica e permitir que você se sinta desconfortável com a realidade que está sendo imposta a você pela mídia. Este é o significado de tomar a pílula vermelha.

Esta é a sua última chance. Depois disso, não há como voltar atrás. Você toma a pílula azul – A história acaba, e você acorda em seu quarto e acreditar no que quiser acreditar. Se tomar a pílula vermelha vai permanecer no País das Maravilhas e eu te mostrarei o quão profundo é buraco do coelho.

Morpheus – Matrix

Nota blog: talvez esta enxurrada de zumbis na indústria do entretenimento não seja para dessensibilizar as pessoas para matanças em massa de pessoas famintas em um futuro próximo. E também não seja para condicionar às pessoas a uma futura pandemia que transformem as pessoas em zumbis (assim espero pelo menos 😉 ) . De qualquer forma, achei este artigo muito interessante ao mostrar estes dois estudos/experimentos, principalmente o experimento de conformidade de Asch. Ele é especialmente verdadeiro em relação a forma como as pessoas acreditam em tudo que lhes é apresentado pela mídia, por mais ridícula e improvável que a história oficial pareça (veja por exemplo o conto de fadas oficial do 11 de setembro), e zombam e excluem qualquer pessoa que não concorde com esta “opinião coletiva”.
Fontes:
The Daily Sheeple: Zombie Entertainment: A Lesson in Cognitive Dissonance and the Red Pill
Wikipedia: The Walking Dead (série de televisão)
Stanford Prison Experiment

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